quarta-feira, 6 de julho de 2011

Hoje chorei,
Pela primeira vez aqui
  -Chorei!-
Sem saber o motivo das lagrimas
Revirei sonhos e passados que não voltam
Beijos e lábios que me tocam
Num sonho de verão
Sem o sol que queima ou a luz que aflige
Sem a lua cheia ou a beleza da esfinge
Chorei, e admito que chorei
Não sou fraco por isso
Ao contrário
Minhas lagrimas rolam e me mostram
Que bonito não é chorar
Mas sim amar
Sem saber o por quê,
Chorei sem querer
Sem segurar lagrimas ou dores
Sem imaginar futuros ou amores
Eu chorei as lagrimas de sangue
Talvez sejam lagrimas secas
Por não molhar meu rosto
Nem sequer deixar suposto
Que chorei ou lagrimei
Que sofri ou que me magoei
Hoje meu choro caiu
Sem eu ter como segurar
Sem saber como parar
As lagrimas da minha dor
                                               Nepomuceno Alves
                                   Lavras do Sul, 05-julho-2011

terça-feira, 5 de julho de 2011

A bela da sanga

Hoje, a sanga beijou os pés do meu amor
E ela sorriu como a flor do campo
Como se eu não estivesse ali mirando

Hoje, naquela sanga correu águas
Que os olhos da minha amada fitaram
E os meus, escondidos,
Apenas amaram

Amaram a sanga que corre
Que sem pedir beija seus pés

Amei também os olhos da linda
Que distraída olha a sanga
Que vai e não volta

Lembrei das minhas voltas
E de esporadas perdidas
Para ver aquela que habita
Na beira da sanga mágica
Que beija seus pés e vai embora

Vi a prenda faceira
Que olha as águas touceiras
Que se vão correndo
Como um dia fui
E jamais voltei
Sem ser para ver a linda da sanga

E os seus olhos brilhavam
E os meus sonhos rolavam
Pra que depois d sanga
Seus pés encontrassem minha direção

A sanga só quer correr e encontrar aquele rio
Eu quero que seus pés beijados pelas águas sem fio
Venham até mim
Aquecer aquele frio
Que as andanças da vida me fez sentir

E longe da prenda da sanga
Vi o sonho morrer e voltar
Vi  a vida ressuscitar
E morrer junto do leito pequeno
Junto daqueles pés beijados
Junto com o sonho do andejo

Eu mirava a sanga correndo
E me vinha a vontade sem fim
De ter sempre junto à mim
A prenda dos pés beijados
E na ilusão fui morrendo
E meu baio sofrendo
Castigado da poeira da estrada
Que apertei na saudade e na falta
Para ver a prenda da sanga

E da ilusão acordei
Quando da sanga lembrei
E me vi num estradeiro empoeirado
Sonhando com os doces lábios
Daquela linda dos pés molhados.

                                               Nepomuceno Alves
                        Lavras do Sul, 05-julho-2011

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Faz

Faz-me sonhar
Oh doce sol
Que ilumina meus dias
 
Faz-me chorar
Oh agre lua
Que me lembra o meu amor
 
Tudo sempre impossível
Faz de mim aquilo que não sou
Porque sempre te amarei
Mesmo isto sendo sonho ou pesadelo
 
Porque és tu
Minha donzela inefável
Que alegra meus dias
E faz em meus sonhos
Sorrir por imaginar ter-la comigo
 
Tens o dom de me alegrar
E o semblante que me faz sonhar
E saber que mesmo fraco em minhas forças
Terei seu olhar como fonte que me ilumina
 
                                               Nepomuceno Alves
                                               Lavras, 28-junho-2011

domingo, 26 de junho de 2011

De onde sai o sorriso

És tu a fonte da beleza humana
Que faz sair dos olhos
O brilho que da alma emana
E por pureza sem fim
Há um medo em mim
De infringir tua delicadeza
A qual já disse
Que guarda a pura beleza

E é sem medo de errar
Que falo em amar
Pois talvez não seja eu
O digno de merecê-la
Pois és tu a mais bela das donzelas
Que me arrepia só de fitar
O lindo brilho do seu olhar.

Eternamente serei seu amante
Um qual a diferença dos comuns
Um qual mesmo errante
Errarei destino nenhum

Com seu semblante
Que me causa medo
Sinto a paz sublime
Ainda assim com receio
Sinto a cá em meu peito
Amor que nunca senti.

                                                           Nepomuceno Alves
                                                                                     
Até onde vai a imaginação de um vivente?
Será que sonha com o passado?
Será que o futuro é traçado?
Ou simplesmente serão esquecidos seus poemas?

Hoje tenho pra ti olhares de mundo
Que jamais serão entregues ao vulto
De perder-te sem lutar

Pois o homem que se faz amar
Não lutar apenas por uma mulher
Luta por um olhar que quis mirar
Luta por um sonho que quis sonhar

Não se faz rogado junto pé do estribo
Se faz rude pela força
E amante perante os olhos errantes
Da sua linda querida

                                   Nepomuceno Alves
                                    Lavras, 25-junho-2011